O livro é de 1979.
As duas páginas selecionadas referem-se a dois "heróis" da Pátria: Tiradentes e Caxias. Clique nas imagens para vê-las em tamanho maior.
“Às vezes nós vendíamos sim escravos para eles, mas eles eram apenas prisioneiros de guerra, ou aqueles que entre nós havia sido condenado por sequestro ou adultério, e alguns outros crimes, que nós achávamos odiosos”.
“Quando um comerciante quer escravos, ele pede ao chefe por eles, e os tenta com suas mercadorias. Não é extraordinário se nesta ocasião ele cede à tentação e se mostra pouco firme, e aceita o preço da liberdade de seus companheiros com pouca relutância aos argumentos do comerciante. Desta forma, ele cai sobre seus vizinhos, e uma desesperada batalha se inicia. Se ele vence e captura prisioneiros, ele gratifica sua avareza vendendo-os”.
“Conosco, eles [os escravos] não trabalham mais que outros membros da comunidade, mesmo seus mestres; sua comida, roupa e acomodações eram quase as mesmas que as deles (exceto que não lhes era permitido comer com aqueles nascidos livres) (...) Alguns daqueles escravos tinham seus próprios escravos sob eles como sua própria propriedade, e para seu próprio uso”.
“Um dia, quando todos de nosso povo tinham saído para o trabalho como sempre, e apenas e minha querida irmã ficamos em casa, dois homens e uma mulher entraram por nossos muros, e em um momento nos cercaram, e, sem que tivéssemos tempo de chorar ou resistir, tamparam nossas bocas, e correram conosco para a mata próxima. Ali amarraram nossas mãos e continuaram nos carregando o mais longe que conseguiam até à noite, quando chegamos a uma casa pequena, onde os ladrões pararam para se refrescar e passar a noite. Fomos então desamarrados, mas não pudemos comer nenhuma comida; e, dominados pelo cansaço e pela tristeza, nosso único alívio foi dormir um pouco, o que adiou a nossa desgraça por pouco tempo”.Logo a seguir foi separado da irmã e, após algum tempo, deixado com uma família, para trabalhar como escravo. Durante cerca dos 7 meses seguintes, sem saber onde estava, e sem condições de fugir, Equiano foi vendido e comprado várias vezes. Em alguns momentos, trabalhava para famílias que o tratavam muito bem; em outras, era maltratado.
“O primeiro objeto que me saltou aos olhos quando cheguei à costa foi o mar, e um navio negreiro (...) Tudo isso me encheu de espanto que rapidamente se converteu em terror quanto eu fui levado à bordo”.
“Quando eu olhei pelo navio também e vi um grande forno fervendo, e uma multidão de pessoas negras todas diferentes acorrentadas juntas, cada um com semblante que expressava desânimo e tristeza, eu não duvidei de meu destino; e, dominado por horror e angústia, eu caí paralisado no deque e então desmaiei. Quando me recuperei um pouco encontrei algumas pessoas negras perto de mim, que eu acredito que foram algumas das que me trouxeram à bordo, e estavam recebendo seu pagamento; eles falavam comigo buscando me animar, mas era em vão. Perguntei se não seríamos comidos por aqueles homens brancos horríveis, com caras vermelhas, e cabelos soltos”.
“Eu nunca havia experimentado nada daquilo antes”.Foi apenas no porão do navio que, conversando com outros presos, descobriu que seria levado para trabalhar para as pessoas brancas.
“o lugar era pequeno, e com o calor do clima, somado ao número [de pessoas] no navio, que estava tão cheio que mal dava para alguém se virar, quase nos sufocava”.
“Cada objeto era novo para mim, e todas as coisas me enchiam de surpresa. O que primeiro me chamou a atenção foi que as casas eram construídas em andares, e em outros aspectos diferentes daquelas da África: mas era mais surpreendente ver pessoas cavalgando cavalos. Eu não sabia o que aquilo significava; e de fato eu pensei que aquelas pessoas eram totalmente feitas de artes mágicas”.
“Quando um sinal era dado (como a batida de um tambor) os compradores corriam junto ao pátio onde os escravos estavam confinados, e escolhiam qual lote gostavam mais. O barulho e a algazarra com os quais chegavam, e a ansiedade visível nos semblantes dos compradores, só servia para aumentar as apreensões dos Africanos amedrontados (...) Desta maneira, sem escrúpulo, parentes e amigos eram separados, para nunca mais serem vistos novamente. Eu me lembro (...) que havia vários irmãos que, na venda, foram vendidos em diferentes lotes; e este momento foi muito comovente ao ver e ouvir seus choros na despedida”.